terça-feira, 23 de junho de 2009

Perseverança




Primeiro, quero pedir desculpas por ter demorado tanto em fazer outra postagem. O trabalho e a preguiça foram muito fortes.... rsrsrsrs. Dito isto, vamos ao assunto.





Escolhi o assunto para falar, ao assistir ao globo esporte. Era uma matéria sobre o Dunga, o técnico da Seleção Brasileira. As pessoas que me conhecem bem, sabem da minha admiração completa e total pela pessoa dele.

Sua trajetória no futebol funciona como uma parábola das dificuldades que encontramos ao longo de nossa vida e em como não devemos nos deixar abater por essas dificuldades.

Minha admiração por ele começou quando ele jogou na Seleção Brasileira Sub-20 de 1983, sendo companheiro de Bebeto, Geovani, Jorginho, etc. Era um timaço e sua dedicação e liderança já eram destaques. Depois de passar por Internacional, Corinthians e Santos, Dunga veio para o Vasco, meu time de coração. Ver Dunga vestindo a camisa do Vasco e jogando ao lado de Geovani, Romário e Roberto Dinamite foi algo indescritível. Nesse tempo, eu ainda frequentava o maracanã. Assisti vários jogos memoráveis. Assisti Dunga marcar implacavelmente à Zico, sem dar nenhum pontápé. Infelizmente, foi vendido ao Pisa antes do Vasco terminar o campeonato e ser campeão.

A partir daí, acompanhei sua carreira à distância, sempre com a mesma admiração. Até o ano de 1990.

Para os mais novos, que não percebem hoje em dia a pressão pela conquista de uma copa, é preciso contextualizar o momento. Em 1990, o Brasil estava há 20 anos sem ganhar uma copa, sendo que havia sido "roubado" em 1978, e havia perdido a de 1982 tendo o melhor time, e em 1986 sendo eliminado pela França nos pênaltis. Então havia uma mobilização nacional para que dessa vez, trouxessemos a copa. O ano de 1990 era um ano estranho... Primeiro ano do governo Collor, a poupança bloqueada, Nélson Mandela libertado depois de 28 anos preso, o Iraque invadiria o Kwait dando início a Guerra do Golfo, Lech Walessa foi eleito presidente da Polônia. Enfim, um ano estranho, com coisas boas e ruins... Assim era a Seleção Brasileira: nem boa, nem ruim. Sebastião Lazaroni era o técnico, muito combatido pelos paulistas, que queriam Telê Santana ou qualquer um que fosse paulista. Mas,Lazaroni tinha o cacife de ter sido tricampeão carioca ( 1986, pelo Flamengo, e 1987 e 1988 pelo Vasco). Nessa época, o futebol carioca ainda era um grande gerador de ótimos jogadores de futebol.

Então, fomos à Copa de 1990 na Itália com um time bom, com ótimos valores individuais, mas, que pecava no conjunto. A campanha foi decepcionante com pífias vitórias sobre Suécia, Costa Rica e Escócia. No jogo contra a Argentina pelas oitavas de final, fomos desclassificados em um jogo morno e sem graça, decidido por uma jogada individual de Maradona. Para deleite da imprensa paulista, o Brasil havia sido desclassificado e voltaria para casa. Então, os grandes culpados pelo fraco desempenho foram Dunga e Lazaroni. A implicância era tanta que decretaram o fim da "era Dunga". Como se o Dunga fosse o único a jogar naquele time... Talvez, o que mais incomodasse fosse o fato de que não havia nenhum jogador de times paulistas... aliás, os únicos jogadores oriundos de times paulistas eram 3: Muller, Careca e Silas.

Nada mais importava à mídia paulista, a não ser a de execrar e humilhar a atuação de Dunga no meio-campo brasileiro. Como se algum jogador de qualquer clube paulista naquela época pudesse ter mudado a história daquele jogo, ou daquela Copa.
Após a sua "era" Dunga atuou na Fiorentina, no Pescara e no Sttutgart. Continuou com sua tradicional instropecção e dedicação. Pelos clubes que passou foi admirado e querido, simbolizando dedicação e profissionalismo.
Durante 4 anos deve ter pensado inúmeras vezes em todos que o maltrataram e magoaram. Pode ser também que algumas vezes ele tenha ficado indeciso por sua competência, devido à constância como o citavam como símbolo de mau futebol. Mas, tudo isso deve ter sido posto de lado quando recebeu o chamado para integrar a Seleção Brasileira novamente. Em nenhum momento ele deve ter hesitado. Para Dunga, a Seleção Brasileira está acima de tudo.
Dunga retornou após a perda da Copa América de 1993, quando fomos eliminados pela Argentina. Sempre ela.
O caminho até a Copa de 1994 foi atribulado e complicado. Terminamos em primeiro lugar nas eliminatórias, mas, não foi fácil. Aos poucos, o time foi sendo definido, para tristeza dos paulistas... No comando, Parreira e Zagalo, dois cariocas. Em campo, 5 jogadores de clubes paulistas: Muller, Cafu, Zetti, Zinho e Viola. Existiam 3 jogadores de clubes cariocas: Gilmar, Branco e Ricardo Rocha. No entanto, a imprensa carioca não teve o comportamento odioso e imbecil da imprensa paulista que torcia contra.
Dunga estava novamente na Seleção Brasileira numa Copa do Mundo, como capitão e coube a ele levantar a taça. Independentemente do que os paulistas falem, o que ficará guardado para a posteridade, nos livros, nos vídeos, nos museus, é a imagem de Dunga levantando a taça comemorando a conquista suada e épica. 1994 foi uma catarse para o futebol brasileiro. Depois, de termos sido campeões "morais" em 1978, de termos o futebol mais bonito de 1982, 1994 foi a conquista da perseverança e da teimosia. Com Dunga à frente, erguendo a taça, e mostrando que as dificuldades existem sim, que por muitas vezes podemos pensar em desistir, mas, que para aquele que batalha e não se entrega, no fim, tudo dá certo.
Antes de julgarmos o Dunga e sua pessoa, seria bom perceber e entender a sua trajetória... Como ele chegou até aonde chegou? O que ele passou para estar ali? Por que ele está ali? Ele merece estar aonde está?
Portanto, podemos dizer que ele foi um perna-de-pau, que não jogava nada, pois, esse conceito é muito subjetivo... Mas, dizer que o Dunga tem sorte? Que é burro? Incompetente? Aí é demais...
Que eu saiba, sorte, inteligência e competência só aparecem para quem trabalha... nada cai do céu!
É isto. Como diria o Gaguinho: "por hoje, é só pessoal!".
Nesse momento me vem à cabeça um pensamento de Nietzsche sobre a perseverança, sobre as batalhas que enfrentamos em nossa vida. Deixo esse pensamento para vocês. Aproveitem.

"Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar para atravessar o rio da vida. Ninguém, exceto tu, só tu. Existem, por certo, atalhos sem número, e pontes, e semideuses que se oferecerão para levar-te além do rio, mas isso te custaria a tua própria pessoa: tu te hipotecarias e te perderias. Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar. Aonde leva? Não perguntes, siga-o!" (Friedrich Wilhelm Nietzsche).

Em tempo: Sugiro a leitura de três crônicas de Luís Fernando Verissimo sobre o Dunga. São elas: Dunga de Bergerac, O Escolhido de Júpiter e Os Dungas. Quem se interessar me avise que mando as crônicas.

5 comentários:

  1. Não tinha lido mais o seu blog, porque, lógico, tinha esquecido de colocá-lo na lista. Minhas doideiras.
    Filosofia fora, que você sabe que não é minha praia, concordo cm você em relação ao Dunga. Acho-o um homem sério, que não aceita mutretas, íntegro e fiel à sua maneira de pensar e agir.
    Como acompanhei você e Socorro desde os tempos de namoro, gostei do que você expôssobre vocês.
    APAREÇAM!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Beijos

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  2. ahh.. eu quero as crònicas! me mandaa! = P
    Aline Garcia

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  3. Pode me mandar ascrônicas meu camarada.
    Abraços, Cleber.

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  4. Parabéns professor! Até parece uma pesquisa feita no google *-*. Aprendi muito lendo tudo isso. Adorei , nunca achei que iria gostar tando quando o assunto é Futebol. *o*

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  5. Cara, infelizmente o Brasil é um país que escolhe as pessoas em que vão acreditar. O Dunga ficou mais marcado pela Copa de 1990 do que a de 1994, onde ele foi capitão e uma das peças fundamentais do time. Agora, a imprensa resolveu dar um trégua a ele por conta dos resultados, mas a primeira adversidade que a Seleção Brasileira encontrar será execrado novamente... como a Geni.
    Mas, incontestáveis são os seus resultados... devemos sim apoiá-lo, e acreditar que ele vai sim fazer um bom trabalho e trazer a Copa do Mundo para o Brasil.

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