
São exatamente 21:35 de sábado. Acabei de chegar da casa dos meus amigos Cléber e Raquel. Juntamente com o Manoel e sua esposa Marly, eu e Socorro passamos uma tarde/noite muito agradáveis. Comemos um ótimo churrasco preparado pelo Cléber que é um ótimo cozinheiro. Mas, o mais legal do evento foi passar um bom tempo conversando com os amigos. E, inevitavelmente, ter boas recordações das coisas e situações que vivemos. As lembranças foram iniciadas numa tomada de decisão sobre qual DVD assistir. Discussão que foi resolvida com a escolha do DVD "Concert for Monserrat". Música boa, de Eric Clapton, Sting, Elton John, Mark Knopler, e etc. Até que a Raquel encontrou um DVD com clips antigos... aí começou uma jornada ao passado.
Assistimos à diversos clips antigos: Chicago, B.J. Thomas, Lobo, Rod Stewart, Bonnie Tyler, USA for Africa, Nikka Costa, Eagles, Vaya Com Dios, até (PASMEM) Patrick Swaze, etc... Não preciso dizer que lembrei de minha infância e de minha adolescência. Foi legal lembrar do descompromisso de quando o mundo era mais simples e menos complicado. Manoel que a idade perto da minha, me ajudou a viajar na máquina do tempo. Viajamos para um tempo que as festas eram americanas: o famoso HI-FI. Para os mais novinhos, o HI-FI era sempre aos sábados de noite, e cada um dos convidados devia levar um prato de alguma coisa... Eu sempre levava pizza de sardinha, que era uma das especialidades de minha mãe. Era imprescindível que o número de meninas fossem igual ou superior ao número de meninos! Tínhamos a ilusão de que se os números fossem iguais ninguém ficaria sozinho. Ou melhor: se a quantidade de meninas fosse maior, alguns , em tese, seriam disputados... Como diria o menino-prodígio: Santa Inocência, Batman! Como naquela época o mundo era menos complicado, nos contentávamos em dançar, e comentar o resto da semana sobre o perfume que a menina estava usando...
Quando passou o clip "We are The World" do USA for Africa, as lembranças ficaram mais vívidas e sérias. Por um momento, o historiador ficou mais presente do que o homem saudoso de uma época que passou. Assisti ao clipe um pouco decepcionado em como a raça humana age e se comporta. O clipe é de 1984, e foi realizado para um projeto que visava minimizar a fome e o caos na África. Juntamente com o Band Aid de Bob Geldof, esses movimentos dos artistas procuraram alertar para a miséria na qual a África estava mergulhada. Foi um movimento feito com boas intenções, mas, que se mostrou inócuo. Hoje, passados 25 anos, a situação na África ainda não é boa. É certo que mudou. E em alguns lugares para a melhor. A África do Sul deu fim ao apartheid, a guerra em Angola acabou, etc. Mas, muita coisa ainda há de ser feita. E todas essas coisas que devem ser feitas necessitam de apoio e de consenso entre os integrantes desse caos. Etnias que guardam ódios seculares, etnias que foram manipuladas pelos colonizadores europeus, diamantes, urânio, petróleo, governos corruptos, guerras civis, genocídios, e outros fatores, são os ingredientes que fazem a África ser o que é hoje. A urgência por mudanças não é de hoje... é secular. E o que foi feito? Ao meu ver, nada! Às vezes, um movimento ou outro resulta em alguma mudança pontual e localizada. E só! Como diria a sábia Plebe Rude: "Até quando esperar?"
É isso! Foi um sábado muito proveitoso. Bons amigos, boa comida, boa música. E o sentimento de revolta, de indignação e de dúvida. E é esse tipo de sentimento que faz a humanidade crescer, mudar... tomara que nunca deixe de ter esse pensamento.
Vou indo... mas, antes gostaria de deixar uma frase que está presente em um filme que fala sobre a África. O filme é "Lágrimas do Sol" com Bruce Willis. A frase é de Edmund Burke: "Para que o mal vença, basta que os homens de bem fiquem de braços cruzados."
Este é o mal de nosso século: a omissão. Enquanto o problema e o sofrimento for do outro, nada fazemos.
Bom domingo! Até a próxima!!!
Fala Cumpadre!!!!
ResponderExcluirLegal esse seu blog. Pode deixar que acompanharei seus relatos. Mas já sabe né, como a internet aqui na empresa é só depois das 17:00h, o tempo será curto. Mais uma vez parabéns!!!
Ney
kkkkkkk... certas coisas não mudam....
ResponderExcluirPoxa, só faltou você me convidar, não pelo churrasco que nem sou muito fã, mas pelos clips antigos que eu amo de paixão. Vocês têm muito bom gosto. Bjs Nelza
ResponderExcluirNo meu trabalho, uma pessoa de um alto cargo e de uma profissão que exige muito senso de justiça e conhecimentos, ao menos, razoáveis dos problemas sociais da nossa sociedade, usa constantemente a máxima: Cada um com seus problemas. Quando ouvi isso percebi que a ignorância transcede todo o conhecimento. Minha maior decepção é perceber que a maioria das pessoas são egoistas assim, as relações deixaram de ser afetivas para se transformarem em competitivas e o ser humano que continua em busca de encontrar pessoas e parceiros com afinidade, sempre estão com pessoas erradas, pois criam um perfil materialista para se relacionarem e se esquecem de simplificar a vida. O resultado é que tenho visto relações conturbadas e medos de expor suas verdades. A escolha acabou por ser a de não encontrar alegria, pois se vitimizar demonstra insatisfação e busca, quando na verdade o mais simples é que nos fazem felizes, como olhar nos olhos e rir juntos de qualquer bobagem. Alguns acreditam que o importante é poder e intelectualidade, confundindo essas coisas com frieza e indelicadezas. Realmente, eu sempre comento, nos anos 70 e 80, os mais vividos por mim, era o tempo de ficarmos juntos e não de competitividade nas nossas relações. Na vida já é cada um com seus problemas, mas sempre podemos ter ou estar ao lado de alguém. Um grande beijos para vocês
ResponderExcluirNão sei quem escreveu este comentário, mas, quero agradecer. Agradecer por ter compreendido o que quis dizer, e pelo que foi escrito. É bom saber que não estou sozinho na minha indignação.
ResponderExcluirabraços.
Washington esse comentário é meu, só agora vi que fiquei como anônima. bjs. Mary
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