quinta-feira, 23 de abril de 2009

Clint Eastwood em "Gran Torino"



Segunda passada fui, juntamente com a Socorro, assistir à "Gran Torino", o mais novo filme de Clint Eastwood. Devo confessar que estava um pouco reticente para ver esse filme. Explico. Primeiro, havia lido algumas críticas boas e outras ruins, e estava receoso. Segundo, sou fã do Clint Eastwood. Fã mesmo. Ele, juntamente com Gene Hackman, Al Pacino e Robert de Niro, são os atores que mais gosto e admiro. E por isso, o receio de me decepcionar. Se percebermos a lista de filmes dele, verificamos como é impressionante: Bird, Um Mundo Perfeito, Menina de Ouro, Os Imperdoáveis, Sobre Meninos e Lobos, etc. Mas, enfim, fomos assistir. E gostei bastante. No filme, vemos a imagem de uma América atual e decadente. O personagem principal, Walt Kowalski, é um anacronismo numa sociedade americana que sofreu inúmeras transformações. Boas e ruins. É um típico "White Man" norte-americano: lutou na Coréia, xenófobo, distante dos filhos, arraigado às raízes. A sociedade ao seu redor está se transformando. Na sua vizinhança, apenas ele está lá. O bairro é dominado pelo coreanos e pelos mexicanos. Seus netos possuem um comportamento completamente errado de acordo com seus valores. Seu melhor amigo é uma cadela que é sua inseparável companheira. Como em "Menina de Ouro", Clint Eastwood questiona o posicionamento da Igreja em frente aos problemas contemporâneos.

Os seus vizinhos coreanos também estão no mesmo barco: são forçados a se posicionar pela gangue de coreanos que querem cooptar o filho mais novo. O ritual de iniciação seria o roubo do carro de Walt, um Ford Gran Torino 1972. Esse carro simboliza uma América de outrora, mais poderosa. Uma América que não existe mais. Walt, ao enfrentar a gangue, torna-se um improvável herói para a comunidade coreana. Nesse momento, o filme espelha-se em "O Cavaleiro Solitário", no qual a comunidade necessita de alguém que dê um basta, que possa catalizar o sentimento de enfrentamento aos inimigos. Mas, esse tipo de posicionamento, sempre resulta em perdas. Nesse momento, a mensagem é que toda ação pressupõe uma reação.

Em dado momento, Walt percebe que as coisas precisam ter um fim, um basta, para que possam mudar e continuar de um outro jeito que não fosse aquele. Nesse momento, o filme lembra "Os Imperdoáveis", pois, passa a mensagem de que a violência é necessária para resolver uma questão violenta. E, então, ele prepara-se para o embate final. Despede-se de sua cadela, faz a sua confissão com o padre, e coloca Thao em segurança para que ele não seja maculado no que estar por vir. Quando tudo parece caminhar para um enfrentamento violento e sangrento como em "Os Imperdoáveis" e em "O Cavaleiro Solitário", acontece um anti-clímax: ele é morto pela gangue, que achava que ele iria sacar e atirar neles. Quando na realidade ele foi ao duelo completamente desarmado. Todos são presos. E a comunidade de quem ele era o herói, une-se para denunciar os criminosos. Esse final, ao meu ver, é perfeito para o filme. Para Walt, que estava velho, sentindo saudades de um tempo que passou, poder ajudar a Thao e Sue era tudo o que ele poderia almejar àquela altura de sua vida. Sentir-se útil e com um objetivo. A comunidade coreana uniu-se em torno da morte de Walt para denunciar a gangue, extirpando assim o mal que vivia entre eles. Thao e Sue conseguem se libertar do mal que os rondava.
Nas cenas finais, na abertura de seu testamento, Walt deixa sua casa para a paróquia e o Ford Gran Torino para Thao. Nesse momento, eu percebo o simbolismo da passagem do novo para o velho. Ou melhor, da união do novo, representado por Thao, com o velho, na figura de um Ford Gran Torino. A cena do carro sendo dirigido por Thao, ao longo da costa é belíssima e dá a sensação de amplidão, das possibilidades que a sociedade pode ter ao unir o novo ao velho.
Sugiro à todos que assistam ao filme e tirem suas conclusões.
abraços. Como diria o Gaguinho: "Por hoje é só pessoal!".

7 comentários:

  1. Meu deus! Seu texto é legal e tudo, mas precisava fazer um "spoiler" dessas proporções! ;)

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  2. rsrsr. aew professores, o que é "spoler"?rsrss

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  3. rsrsrsrsrs...spoiler é quando a gente conta um episódio, um filme, antes que a pessoa tenha visto... abraços

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  4. Vlw prof.
    desculpe a ignorancia.
    mais eu sou assim. pergunto mesmo o que não sei.
    rsrs. abçs!

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  5. Meu Camarada WAS! Completamente a sua cara este BLOG, meus parabéns pelo excelente trabalho, e coloquei este em meus favoritos; abraços (ADR)

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